Ontem,
depois de um dia relativamente calmo e delicioso de sol na caótica São Paulo,
fiquei com aquela sensação de não querer que o dia terminasse. Igual quando era
criança e ficava brincando na rua ou no play do prédio, e minha mãe tinha que
insistir para eu subir quando anoitecesse. Nesses momentos, desejava que a
noite não chegasse nunca, para poder brincar eternamente.
E bateu
um saudosismo, acompanhado de um pensamento que parece clichê, extraído de
livros de autoajuda, mas que fez todo sentido para mim naquele momento: olhar a
vida com olhos de criança torna tudo mais leve e simples. Lembrei de outro dia
ensolarado, quando ainda morava em outro apartamento em São Paulo, com
parquinho no jardim. Não estava brincando ali, já que era bem grandinha (será?)
para isso, mas de casa podia ouvir os risos e gritos de um grupo de meninas. Entre
as risadas, elas começaram a entoar um mantra: “Melhor dia da minha vida”.
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| Um "típico" dia de sol no Parque do Povo, em São Paulo |
Era
isso: um simples dia de diversão no parquinho – que nem era lá essas coisas –
já bastava para considerarem aquilo como o suprassumo de suas vidas. Desde
então, tentei mudar minha postura e encarar vários dos meus dias simples como “o
melhor dia da minha vida”, (inclusive com as risadas das meninas ecoando
junto!) mesmo sem ter grandes acontecimentos que justificassem isso. É apenas
uma celebração de momentos gostosos, leves, que podem ser um passeio ao parque,
um jantar, um encontro com amigos, pedalar de volta pra casa sentindo o vento
bater na cara...São instantes em que, para ser feliz, basta perder a noção das
preocupações do amanhã e aproveitar cada "brincadeira" com
intensidade. Afinal, como disse a jornalista Leila Ferreira em seu livro "Viver não dói", a felicidade é distribuída a conta-gotas. E eu pretendo contar cada gota da minha!
