terça-feira, 29 de agosto de 2017

Poesia dos sentidos

Um fim de semana de sonho. Cidade linda e vibrante, com energias boas que emanam do cansaço de varrer ruas de pedras com os pés afoitos por desbravar a beleza e, a partir deles, criar memórias permanentes que sobem e entorpecem a vista. Tato e visão integrados. O olfato também tomado pelo ar marinho e pelo cheiro úmido da água que empoça nas ruas cheias de histórias para contar, de ontem e de hoje. A alegria sorridente de testemunhar o amor e o mundo em uma igrejinha branca cheia de desconhecidos à beira-mar parece ser um novo sentido. E o paladar, por fim, ocupado totalmente em sugar todos os sabores do mar, das frutas e da cachaça local que, aguardante, enche de água as bocas sedentas de diversão e faz arder a chama da música dentro dos corpos que vibram. Vibram no batuque, vibram no contato uns com os outros e com o chão desse pedaço de paraíso. Uma pitada de realidade vem com a voz (insana?) que grita por um pouco de café ou por um cigarro na noite fria da espera pela volta. Nos ombros, pesa um pouco a culpa, mas também o peso da bagagem que, curiosamente, leva apenas um pouco pequeno, mínimo, de coisas físicas. Pesa e enche ali, talvez, o amontoado de lembranças que nos acompanham para casa e não se desfazem nem na rotina fechada da semana.