sexta-feira, 27 de outubro de 2017

Palavra-mágica


Nem me lembro bem de quando foi que tomei gosto pela escrita. Acho que, antes de tudo, veio o gosto puro e simples pela palavra. Comecei muito cedo a entender as palavras, a ler e, aos poucos, entender o seu sentido. E ali fez-se a mágica. A leitura sempre foi minha amiga de infância. Sabia que, com a simples conjunção de algumas letras, podia-se tudo: expressar dores, criar mundos de encanto e prazer, arrancar risadas ou provocar lágrimas. E sempre tive gosto de usar isso para me expressar, para contar da realidade que me afligia ou deleitava ou para criar outras realidades quando aquele desabafo do real não era suficiente. Lembro de pelo menos dois “livros” escritos na tenra infância e começo da adolescência. Depois disso, as palavras passaram a ter o peso do julgamento, da comparação adulta. E eu me perdi delas ou, ao menos, tentei as calar e reter dentro de mim. Muitas vezes não conseguia, mas, depois de muita prática, hoje parece que elas me fogem na maioria das tentativas que faço em busca delas. O que me vem sempre são palavras prontas, em fórmulas repetidas e pensadas para agradar. O medo de não conseguir ir além delas me impede sempre de arriscar. A imaginação me abandonou. A mágica das palavras não habita mais em mim, mas continuo em sua busca, em tentativas de voltar a ter os olhos da mente abertos para o que nem sempre se pode ver, mas se pode criar e contar. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário