domingo, 16 de junho de 2013

"Que Deus lhe pague"

Faz tempo que não escuto a expressão que dá título a este post. Mais do que uma frase de agradecimento, considero uma forma de demonstrar e valorizar a camaradagem e solidariedade humanas, já que geralmente se associa a atitudes gratuitas de ajuda. Hoje, confesso que só a encontro nos lábios dos mais antigos. Talvez porque o hábito de deixar o agradecimento pela ajuda de alguém nas mãos de outra "pessoa" (mesmo que ela seja Deus) já não seja mais comum. Queremos e precisamos de formas palpáveis e imediatas de "recompensa" por tudo. É raro (admito que até mesmo para mim), parar para ajudar alguém - sobretudo um desconhecido - sem pensar nas implicações disto para a rotina.

Muitos culpam a correria, outros a falta de segurança, mas acredito que essa forma de gentileza caiu em desuso porque estamos ocupados demais conosco mesmos. Somos, cada vez mais, impessoais. Não nos importa ou parecemos enxeridos - ou mesmo agressivos, em alguns casos - se paramos para ajudar alguém que não nos pediu nada. Não olhamos  mais para o outro, para os problemas dele (exceto quando expostos nas redes sociais, o que aí sim causa manifestações "sinceras" de apoio). Todos queremos aparentar ser fortes e independentes. Demonstrar fraqueza é quase um atestado de fracasso. Despender de tempo para fazer algo até mesmo para um conhecido significa desperdício (de tempo, de dinheiro...) para nós mesmos.

Talvez eu esteja errada - e gostaria muito de estar. Pode ser que a expressão apenas não seja mais usada porque a religião está "fora de moda". Se for assim, que as pessoas possam ajudar as outras sem precisar dessa forma específica de agradecimento. Que apenas um "obrigada", um sorriso, um abraço ou aperto de mão sejam capazes de expressar tudo isso. Mas que não seja desculpa para não enxergarmos o outro e ser solidários, mesmo que em pequenos atos cotidianos, como respeitar filas ou carregar a bolsa de alguém no ônibus.




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